Quando falamos em democracia, quase sempre pensamos no momento do voto.
A mão levantada.
A decisão registrada em ata.
Mas, no cooperativismo, a pergunta mais importante vem depois:
O que acontece quando a mão abaixa?
Porque democracia cooperativa nunca foi apenas um direito de opinar. Ela é, desde a sua origem, também um compromisso com o que vem depois da decisão.
Não por acaso, o segundo princípio fala em gestão democrática pelos membros.
Gestão - não plateia.
Democrática - não autoritária, ou mesmo dispersa.
Pelos membros - antes de ser para os membros.
Quando a democracia é reduzida ao voto
Em uma cooperativa a participação não pode parecer terminar no momento da decisão.
Senão, as pessoas votam, escolhem… e a responsabilidade se dilui.
Gestão Democrática é um princípio que, na verdade, é exigente. A partir dele é que se transforma corresponsabilidade em procedimento.
No cooperativismo, decidir não encerra o processo. Inaugura.
Decidir é visível. Assumir é cotidiano.
O ato de decidir é visível.
É público, registrado, mensurável.
Assumir é mais silencioso.
Acontece na manhã seguinte, quando a assembleia ficou para trás e só restou o compromisso.
Assumir aparece:
No jeito como se fala da decisão, mesmo discordando
Na postura de quem sustenta o combinado
na coerência quando ninguém está olhando
Na forma como se responde às críticas depois da assembleia
Nas escolhas do dia a dia que respeitam o que foi decidido coletivamente
Sem isso, a gestão democrática se cumpre formalmente, mas se esvazia no cotidiano.
Onde a democracia cooperativa realmente acontece
A democracia cooperativa não se revela apenas na assembleia.
Ela se revela depois dela.
Na forma como dirigentes conduzem.
Na postura dos conselheiros.
Na atitude do cooperado quando o resultado não foi o desejado.
É nesse espaço invisível que a identidade cooperativista se confirma. Ou se esvazia.
Democracia cooperativa é maturidade institucional
O exercício da democracia não promete conforto.
Promete responsabilidade compartilhada.
Mais do que decidir juntos, exige sustentar a decisão, inclusive quando dói.
Por isso, democracia cooperativa não é um privilégio fácil.
É uma escolha madura.
Para pensar
Em cada cooperativa, a participação pode seguir dois caminhos:
Encerrar-se no decidir ou aprofundar-se no assumir.
Quando o assumir não acontece, a democracia se reduz ao rito.
É no cotidiano, e não na ata, que a gestão democrática ganha vida.
Até a próxima!
Ricardo Leite - Atitude Coop
